Vitor Gonçalves

Licenciado em Biologia pela Universidade do Porto (1991) e Doutor em Biologia, especialidade
de Biologia Vegetal, pela Universidade dos Açores (2008), Vítor Gonçalves é Professor Auxiliar
no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores, onde exerce docência e investigação
desde 1993. É coordenador do Grupo de Investigação em Ecologia das Águas Interiores (FRESCO)
do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Polo dos Açores (CIBIO
Açores). O seus principais interesses de investigação são a biodiversidade dulçaquicola, a
taxonomia, ecologia e conservação de microalgas, e a avaliação do estado e evolução dos
ecossistemas aquáticos. Participou em vários projectos de investigação e prestações de serviço,
nomeadamente nas áreas da biodiversidade e ecologia aquáticas, monitorização da qualidade
de ecossistemas aquáticos, e elaboração de planos estratégicos e de ordenamento de recursos
hídricos. É autor de mais de 90 publicações entre livros, capítulos de livros, artigos em revistas
cientificas, atas de encontros científicos, teses e relatórios técnicos. Participou em numerosos
congressos e outras reuniões científicas, tanto nacionais como internacionais, onde apresentou
mais de 50 comunicações (orais e posters). Possui uma vasta experiência letiva em biologia e
diversidade de algas e fungos, e em ecologia aquática, tendo orientado inúmeros alunos de
licenciatura, mestrado e doutoramento.

Entrevista

Porque é que decidiste ser um investigador?
Como nasci numa aldeia rural, desde criança mantive um contacto permanente com a natureza, e a
biodiversidade, principalmente vegetal, sempre me fascinou. Por isso estudar biologia foi uma
escolha natural. Durante o curso de biologia o interesse pela investigação da biodiversidade e da
ecologia foi aumentando e foi cimentado no último ano do curso em que optei pelo ramo de
especialização científica. Terminada a licenciatura procurei ingressar logo numa carreira
universitária que me permitisse manter uma forte ligação à investigação científica.
Foi dificil estudar ciências na Madeira/Açores/Canárias?
A minha formação académica inicial foi feita na Universidade do Porto, onde me licenciei em
Biologia. A chegada aos Açores aconteceu pouco tempo depois e numa altura em que o
conhecimento científico em vários domínios das ciências biológicas estava ainda nos seus
primórdios. Fizeram-me então o desafio para estudar as algas das lagoas que eu abracei de imediato
e que tem sido desde essa altura o meu principal interesse científico. Estudar estes organismos
(microalgas) e estes ecossistemas (lagoas) nem sempre foi fácil pois não havia mais ninguém nos
Açores que o fizesse. Essa “solidão” científica dificultou bastante a investigação que comecei a fazer,
mas com o tempo fui construindo uma equipa de investigação e estabelecendo colaborações com
outras universidades nacionais e estrangeiras que facilitaram o desenvolvimento da investigação
nesta área.
Qual é a parte favorita do teu trabalho?
Destaco duas componentes que mais me atraem no trabalho de investigação que faço. Em primeiro
lugar o trabalho de campo: o contacto com a natureza e a observação no ambiente natural do
funcionamento dos ecossistemas é aquilo que mais me atrai. Em segundo lugar é a observação
microscópica das amostras que recolhemos: descobrir numa gota de água ou num pequeno tapete
de verde ou castanho retirado de uma pedra uma imensidão de diferentes espécies de microalgas e
poder identifica-las pelas suas características é muito gratificante.
Que conselhos podes dar aos futuros investigadores?
Creio que a principal característica que um investigador deve ter é a curiosidade. Um investigador
não deve acomodar-se a ideias pré-concebidas e deve questionar sempre o porquê das coisas.
Associada a esta característica essencial, o investigador tem que suportar a sua investigação num
conhecimento profundo de estudos anteriores relacionados com a sua área e ser persistente na
prossecução dos seus objetivos. É claro que nada disto resulta se não gostar do que fizer, portanto
deve procurar estudar aquilo que gosta.