Mónica Moura

Mónica Moura leciona e realiza investigação na Universidade dos Açores desde 1991. Trabalha na área da propagação de espécies de plantas endémicas dos Açores por semente e através da cultura in vitro, tendo dado origem a esta última linha de investigação no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores. Doutorou-se em Fisiologia Vegetal em 2006. Recentemente interessou-se pela genética molecular, encontrando-se a desenvolver investigação com espécies de plantas endémicas e nativas dos Açores nas áreas da filogenética e genética de populações. Lecionou várias disciplinas de mestrado (“Genética de Populações”, “Métodos em Sistemática”, “Genética e Reprodução Vegetal”, “Biotecnologia Vegetal”, “Sistemática Botânica”) e de licenciatura (“Evolução”, “Genética e Evolução”, “Biologia da Conservação”, entre outras). Supervisionou estudantes de mestrado, de doutoramento e projetos de pós-doutoramento.

Entrevista

Explica da forma mais simples possível a tua especialização/investigação.
Trabalho principalmente com plantas endémicas dos Açores, ou seja, plantas que evoluíram nos Açores e não existem naturalmente em mais nenhum local da Terra. Procuro conhecer os seus padrões genéticos a partir do DNA de modo a identificar populações que sejam diferentes ou que tenham problemas de consanguinidade, podendo-se assim determinar quais são as mais prioritárias para proteger. Faço ainda trabalhos na área da sistemática que é a ciência que estuda a diversificação dos organismos e como se relacionam entre si, usando também DNA e características morfológicas para determinar se existem outras espécies endémicas nos Açores que não foram até ao momento descobertas e quais são as suas relações com espécies aparentadas nos Açores e em outros locais. Para além disto também uso metodologias como germinação de sementes e cultura de fragmentos de plantas dentro de tubos de ensaio (cultura in vitro) para definir as melhores formas de propagar espécies endémicas raras.
Porque é que decidiste ser um investigador?
Quando era criança gostava muito de observar pequenos animais que existiam no jardim da minha casa. Também via todos os programas sobre animais que passavam na época na televisão açoriana (muitos a preto e branco ainda!). Pode-se dizer que a biologia foi desde sempre o meu primordial interesse.
Foi difícil estudar ciências na Madeira/Açores/Canárias?
Na altura já existia a Universidade dos Açores o que facilitou os meus estudos superiores. Iniciei a minha carreira como professora de Biologia e Geologia do 5º e 6º anos porque não havia ainda cursos virados para a investigação na UAc. No entanto, pouco tempo após ter concluído o curso, surgiu a oportunidade de entrar para o corpo docente da Universidade dos Açores.
Qual é a parte favorita do teu trabalho?
Descobrir coisas novas!
Que conselhos podes dar aos futuros investigadores?
Nunca desistam de fazer o que realmente gostam. Mesmo que o caminho seja inicialmente acidentado, com várias dificuldades, sejam persistentes.