Helena Santos

Helena Santos: licenciada em Engenharia Química (IST); Doutoramento na relação estrutura / função das proteínas por NMR (1984). Professora de Bioquímica e Chefe do Laboratório de Fisiologia Celular e RMN no ITQB desde 1989. Foi Coordenadora de dois Projetos da UE, Coordenadora “of the Leaf”, composta por 13 parceiros no projeto da UE “Extremophiles as Cell Factories”, Programa BIOTECH e líder de equipa em 15 outros projectos europeus.
A ressonância magnética nuclear in vivo e in vitro é a principal ferramenta utilizada para a determinação estrutural de proteínas e metabólitos e para orientar estratégias de engenharia metabólica para produção de substâncias químicas com relevância industrial. A atividade da equipa na área de extremófilos é amplamente reconhecida. Concentramo—nos em microrganismos adaptados a temperaturas por volta dos 100 ºC. Novos metabólitos foram identificados, as suas vias biossintéticas caracterizadas e potenciais aplicações em biotecnologia foram exploradas. Identificamos mais de uma dúzia de novos metabolitos de stress, demonstramos a sua utilidade como protetores de proteínas e estudamos o modo de ação (efeito na estrutura e dinâmica das proteínas).
Modelos de levedura da doença de Parkinson foram usados para confirmar a eficácia destes solutos no meio intracelular, sugerindo a sua potencial utilidade como compostos principais para o tratamento / prevenção de doenças de desdobramento de proteínas.

Entrevista

Explica da forma mais simples possível a tua especialização/investigação.
Estudo os procesos metabólicos e bioquímicos que estão na base da adaptação dos microrganismos a temperaturas da orden dos 100 ºC.
Porque é que decidiste ser um investigador?
Porque penso que ser cientista é uma das atividades mais nobres que nos definem como humanos. É fascinante conseguir explicar os procesos biológicos a nível molecular. Como é que moléculas pequenas e grandes interagem na célula de modo a permitir que se mantenha viva, prolifere e se defenda de várias condições adversas.
Foi dificil estudar ciências na Madeira/Açores/Canárias?
Não se aplica ao meu percurso pessoal
Qual é a parte favorita do teu trabalho?
O momento da descoberta da solução para um problema difícil.
Que conselhos podes dar aos futuros investigadores?
A vida de investigador científico a nível de topo é muito dura e exige enorme dedicação. É imprescindível ser-se “viciado” em trabalho, estudioso, perseverante, lutador, curioso, ambicioso. Temos que olhar para o trabalho como fonte de prazer, tal como o lazer o é para a maioria das outras pessoas.