Diamantino Valente Henriques

Licenciado em Física pela Univerisdade de Aveiro e Mestre em Ciências Geofísicas – Meteorologia
pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, ingressou no quadro do Instituto Nacional
de Meteorologia e Geofísica em Lisboa como meteorologista ha 31 anos, tendo participado em
vários projetos de investigação na área da composição química da atmosfera, em particular no
estudo do ozono atmosférico. Em 2003 foi colocado em Ponta Delgada, onde atualmente exerce o
cargo de Delegado Regional do Instituto Português do Mar e da Atmosfera nos Açores.

Entrevista

Explica da forma mais simples possível a tua especialização/investigação.
Sou físico de formação e meteorologista de profissão. O meu trabalho principal consiste por isso em prever o estado do tempo. No entanto, a minha especialidade é do ozono atmosférico e os temas relacionados com a alterações da composição química da atmosfera que sejam também relevantes para o Clima.
Porque é que decidiste ser um investigador?
A investigação coloca desafios e eu gosto de desafios. A atmosfera é um meio de estudo fascinante onde ocorrem fenómenos que são pouco conhecidos que aguardam explicação. Desde os tornados, ciclones tropicais e outros fenómenos extremos, até as alterações climáticas, passando pelo Buraco de Ozono, existe uma enorme variedade e quantidade de fenómenos cujo conhecimento está permanentemente em evolução, desafiando por isso o meu intelecto.
Foi difícil estudar ciências nos Açores?
A dificuldade de estudar ciências nos Açores tem a ver com a falta de recursos que é inerente a condição insular. Obviamente, não é possível ter os mesmos recursos que em Lisboa ou noutra capital europeia. No entanto, acho que os recursos naturais que os Açores oferecem acaba por compensar parte dos recursos técnicos em falta. Os Açores são um verdadeiro laboratório natural onde podem ser feitas experiências que noutros locais não seria sequer viável.
Qual é a parte favorita do teu trabalho?
Gosto quando algum episódio raro ou invulgar acontece e tem impacto à escala nacional ou europeia. Surge então a necessidade de dar resposta para a sua explicação e evolução, e isso constitui sempre um desafio que eu gosto.
Que conselhos podes dar aos futuros investigadores?
O meu conselho é que não tenham receio de abraçar esta profissão. Há geralmente a ideia que estas áreas têm pouca saída profissional ou são mal remuneradas. É verdade que não conheço nenhum investigador rico, mas também não conheço nenhum que esteja no desemprego ou a passar dificuldades. Não tenham medo de sair da vossa área de conforto e partir. Portugal para a Europa não é mais hoje do que a província era para a metrópole há 30 anos atrás. Se a vantagens na globalização, a mobilidade é uma delas.