Carla Cabral

Carla Mendes Cabral é Professora Auxiliar no departamento de Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade dos Açores desde 2004. É Licenciada em Biologia (1989) pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Doutorada (2004) em Microbiologia pela Universidade dos Açores. Tem desenvolvido atividade docente na área da Microbiologia, sendo responsável pela docência das disciplinas relacionadas com esta área científica, que são ministradas na Licenciatura em Biologia, Ciclo Básico de Medicina e Mestrados oferecidos pela Faculdade de Ciências da Universidade dos Açores. Na sua atividade docente inclui-se a orientação de teses de mestrado do Mestrado em Ciências Biomédicas e participação em júris de Doutoramentos e Mestrados da Universidade dos Açores. A sua atividade científica tem sido desenvolvida na área da Microbiologia, fazendo parte do Centro de Biotecnologia dos Açores. Participou em vários projetos financiados pela União Europeia, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Direção Regional de Ciência e Tecnologia. Os temas científicos desenvolvidos incluem: estudo da patogenicidade de bactérias do género Photorhabdus e Xenorhabdus em insetos; estudo de proteases produzidas por bactérias do género Photorhabdus e Xenorhabdus; estudo de Bacillus thuringiensis (bactérias patogénicas de insectos) isolados nos Açores; estudo da diversidade genética de microrganismos isolados de vários ambientes dos Açores e caracterização de bioatividades (atividade enzimática, atividade antibacteriana, atividade nematicida e inseticida); construção e manutenção de coleções dos microrganismos isolados.

Entrevista

Explica da forma mais simples possível a tua especialização/investigação.
A minha área de especialização é Microbiologia. A investigação que tenho desenvolvido na Universidade dos Açores tem como principal tema o estudo de microrganismos úteis. Tenho estudado bactérias patogénicas de insetos (várias espécies dos géneros Photorhabdus e Xenorhabdus) de modo a que elas possam ser usadas de modo eficiente no controlo de insetos praga. Para tal tenho estudado o modo como elas causam doença nos insetos, estudando algumas das moléculas que elas produzem, como enzimas com atividade proteásica. Tenho também estudado Bacillus thuringiensis, uma bactéria patogénica de insetos e de outros invertebrados. Estamos a trabalhar com um isolado dos açores que produz uma toxina que mata nematodes, caracterizando essa toxina e estudando o seu potencial para combater nematodes que causam doença em plantas e animais. Paralelamente, tenho também trabalhado no isolamento e manutenção de bactérias de diferentes ambientes nas ilhas dos Açores. Estas bactérias constituem várias coleções que estamos a explorar no que diz respeito à produção de moléculas bioativas como: enzimas, moléculas com atividade inseticida, moléculas com atividade antibacteriana e nematicida. No estudo destas atividades utilizamos vários modelos animais: insetos e nematodos.
Porque é que decidiste ser um investigador?
Essa foi uma decisão que surgiu de modo muito natural. Sempre tive um grande interesse pela Biologia e uma grande curiosidade em estudar e perceber os mecanismos celulares e conhecer o mundo à minha volta.
Foi dificil estudar ciências na Madeira/Açores/Canárias?
As dificuldades na investigação nos Açores são muito semelhantes às que encontramos no resto do país. As principais dificuldades têm a ver com a dificuldade de financiamento para a execução dos projetos. Além disso, a situação geográfica, tão interessante em termos científicos, por vezes coloca dificuldades pela distância a que estamos dos outros centros de investigação.
Qual é a parte favorita do teu trabalho?
Em investigação é sempre muito compensador conseguir obter informações novas sobre as bactérias com que trabalho. É sempre muito bom quando encontramos uma nova molécula ativa com características interessantes e com potencial aplicação. Um outro aspeto que para mim é muito importante é a possibilidade de participar na formação dos estudantes da Universidade dos Açores, partilhando os conhecimentos que vão sendo adquiridos.
Que conselhos podes dar aos futuros investigadores?
Penso que cada vez mais é preciso que haja uma motivação e entusiasmo fortes para enveredar pela investigação. É bom que os futuros investigadores encontrem uma área de interesse de que
gostem e onde possam explorar o seu potencial. É claro também que é preciso muito trabalho e empenhamento e, sobretudo, muita persistência.Escolham uma área que gostem e que seja importante para a população do meio em que estão inseridos.